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Foi durante esta pesquisa que nos apercebemos que as canções infantis não são levadas muito a sério: são raros os discos em que há músicos de carne e osso a tocar; quase tudo é feito por computador com sons que parecem mais os de uma consola de jogos espaciais em plástico do que verdadeiros instrumentos tocados por pessoas. Será que os músicos pensam que as crianças não distinguem o que é real do que é falso? Também a parte vocal é tipicamente interpretada de uma forma "infantilizada" já que os temas se destinam a crianças, uma vez mais. Será que as crianças gostam de ouvir adultos a cantar como se fossem crianças? Nós quando éramos pequenos, não gostávamos. Outra consequência desta onda de música infantil "empacotada" é fazer com que um adulto não seja capaz de ouvir este tipo de música, pelo que não há partilha de experiências entre gerações. Pensámos então que seria bom gravar as canções tradicionais infantis da forma genuína que elas merecem, provavelmente com a simplicidade com que foram criadas há muito tempo atrás. Desta forma talvez pudessem ser ouvidas por todos, independentemente do tamanho dos ouvidos! Pusemos o gravador a rodar, cordas novas na guitarra e lá fomos gravando as canções que nos vinham à memória. Procurámos encontrar algumas que já estavam esquecidas e ainda tivemos a ajuda das nossas mães para nos relembrarem de outras. Acrescentámos quadras a algumas canções em que achámos que a história estava um pouco mal contada... Encontrámos também algumas canções estrangeiras que não resistimos a incluir no trabalho.
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Demos largas à nossa imaginação, e compusemos arranjos musicais baseados nas mais variadas influências, desde o rock ao folk , passando pelo country e pelo fado, mantendo sempre contudo o espírito tradicional dos temas, que foram executados com instrumentos acústicos (guitarras, bandolim, sopros, percussões). Decidimos ainda fazer das harmonias vocais uma norma e não uma excepção nas nossas interpretações. Se cada um de nós tem um tom de voz próprio, porque não cantarmos os dois, cada um na sua voz? E tal como diz a Dra. Raquel Marques Simões no seu livro Canções Para a Educação Musical , " É ilógico considerar o canto a duas vozes como inadequado a crianças ainda jovens (...). O que não se consegue de crianças de doze anos não cultivadas, poder-se-á obter de crianças de sete com a devida iniciação (...)." Com isto queremos dar a entender que embora estejamos a tratar de música infantil, ela é interpretada com as mesmas bases de sustentação (instrumentos, arranjos, composição, etc.) de qualquer outro tipo de música. No CD "As Canções do Pê e da Jana" escrevemos que o nosso som é como que o de uma actuação ao vivo dos dois na sala de estar, cantando canções de sempre para uma roda de amigos de todas as idades. Quem são esses amigos? Tu podes ser um, se quiseres. Basta ouvires a nossa música. |
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